O excesso de analgésicos ao invés de ajudar pode até piorar a enxaqueca


A cada ano, até 15% das pessoas com enxaqueca passam a apresentar crises quase diárias. Já conhecemos alguns fatores de risco modificáveis que aumentam o risco para a cronificação da enxaqueca: obesidade, distúrbios do sono, excesso de cafeína, tabagismo, eventos estressantes e dor crônica. Entretanto, nenhum fator tem tanto impacto como o uso excessivo de analgésicos. Os estudos epidemiológicos revelam que cerca de 3-4% da população mundial sofre de dor de cabeça diária, grande parte devido ao excesso de analgésicos. Seu consumo não deve exceder mais do que 2 vezes por semana. É um ciclo vicioso: quanto mais analgésicos, mais dor de cabeça. Entretanto, não é difícil imaginar que a divulgação desse problema contraria interesses comerciais de proporções gigantes.

 

Resolve-se o problema com a suspensão abrupta dos analgésicos e o início de um tratamento com medicação que recolocará a química cerebral no seu lugar certo e que deve durar pelo menos seis meses. Há evidências do benefício do uso de corticóides e/ou neurolépticos nos primeiros dias da “abstinência” dos analgésicos. Durante a retirada, deve-se evitar o uso de analgésicos associados a tranquilizantes, opióides, barbitúricos, cafeína, assim como mistura de analgésicos. Os anti-inflamatórios não hormonais são boas opções nesses casos.

 

Além do risco de cronificação da enxaqueca, o uso de analgésicos sem instrução médica pode levar a outros riscos, já que algumas medicações são contra-indicadas a depender do tipo de enxaqueca e dos antecedentes patológicos do indivíduo.

 

O Rio não pode parar

O Rio de Janeiro, minha terra natal, para quem não sabe, é uma terra de excelentes médicos. Temos 4 univesidades públicas (3 federais e 1 estadual), e obviamente um mar de universidades particulares. Temos médicos excelentes na cidade, e MUITOS médicos cariocas trabalhando fora do estado. Aqui em São Paulo mesmo, parecemos uma legião de nômades. Alguns vieram morar aqui, como eu. Mas MUITOS deles passam diariamente pelo aeroporto ou pela Rodoviária do Tietê e inundam o metrô e os taxis desta cidade. E isto semanalmente. Confesso que é muito muito bom encontrá-los, ouvir novamente o jeito de falar, saber das novidades e das velhas queixas. Geralmente são fáceis de achar: são bastante práticos na lida e mais informais no trato (geralmente estão rindo de alguém ou de alguma coisa). Os próprios pacientes já tentam adivinhar ("você é do Rio, não é?") e isto já não é mais visto com desconfiança. Meu chefe mesmo, um paulistano com cara de paulistano, fez faculdade no interior do Rio (Vassouras), como muitos médicos paulistas (quem diria, hein?).


Agora, por que tantos médicos cariocas vêm para São Paulo trabalhar?


Em primeiro lugar: dinheiro. Todo mundo precisa pagar contas e ter um mínimo de folga. A maior parte dos médicos até os 40 anos, principalmente so que tem família trabalha muito mais que as 44 horas semanais que a CLT prevê (chega ao dobro). E uma boa parte informalmente ou por meio de cooperativas (que acabam sendo agências de emprego, e não cooperativas).  Isto não é diferente do Rio. Mas, em SP paga-se melhor (o que justifica as viagens semanais). Em SP, a maioria das grandes empresas exige que o médico tenha uma PJ (e aqui também). Aqui, a hora trabalhada de um médico chega a ser 100% maior (em raros casos, mais de 100%). CLT para médico é raridade em qualquer lugar, mesmo essencialmente sendo um trabalho estritamente pessoal.


Em segundo lugar: estrutura. O Rio tem sim bons lugares para se trabalhar, mas não como aqui. O tamanho, a estrutura e o serviço prestado não se comparam. Sâo Paulo tem uma rede hospitalar incomparável, e não estou falando somente de Sírio e Einstein. Se vc ver o prêmio Top Hospitalar de todos os anos, você vai ver que SP domina (São Luiz, São Camilo, Osvaldo Cruz, etc.). Grandes hospitais estão por todo lado, com exames, e especialistas. No Rio, os hospitais em geral têm muito menor porte e estrutura mais enxuta. À excessão no Rio provavelmente seria apenas a Rede D´Or (teríamos o Hospital das Américas mas o projeto foi embargado). Mesmo o Prontobaby, onde trabalhei, que seria uma versão carioca do Sabará, é bem menor e presta quase os mesmos serviços - e com eficiência parecida. Certamente o Rio poderia ter uns 2 desses. Um diferencial que é gritante é a qualidade de serviço. Realmente a concorrência faz com que, do manobrista à atendente, da auxiliar de enfermagem ao médico, exista padrão, postura e organização. É gostoso trabalhar assim.


Mas este artigo não é para diminuir o Rio de Janeiro, nem necessariamente para enaltecer São Paulo. Ele foi motivado por dois acontecimentos:


1) Uma enfermeira do São Camilo Pompéia me perguntou  porque eu não voltava para o Rio, de onde trouxe minha esposa e filhos, já que ela mesma, apesar de trabalhar em SP há 9 anos, não conseguia deixar de sentir saudades da terra dela. Achei interessante a pergunta, principalmente porque, mesmo com tantas saudades, ela não admite a possibilidade de voltar a trabalhar no interior...


2) Li na internet uma noticia que já não é tão fresca assim, mas que eu achei que pode ser animadora. Em entrevista à Revista Dinheiro, Eike Batista sobre seus investimentos na campanha Rio 2016, ele responde entre outras perguntas:
DINHEIRO – E qual o próximo investimento no Rio?
EIKE – Tinha o sonho de construir no Rio um grande hospital, do mesmo nível do Sírio-Libanês e do Albert Einstein, os dois grandes hospitais de São Paulo. Muita gente aqui precisa ir para São Paulo para se tratar, o que é um absurdo.
Precisamos de um hospital de referência e agora, com a confirmação da Olimpíada, eu vou construir esse hospital. Já tenho o terreno na Barra da Tijuca. Quero fazer algo grande, de ponta. Investirei algo em torno de R$ 150 milhões. O Rio não pode parar.


 
Concordo com o Eike. É um absurdo. Assim como é um absurdo todo este exôdo carioca em busca de um salário que preste. Uma pena é que se provavelmente este Eisntein carioca pagará salários bem abaixo dos do Einstein paulistano para ter médicos do mesmo quinhão. é o que se chama preço de mercado. O hospital certamente ganhará em gestão e serviço, mas os profissionais não ganharão tanto assim. E se tirarmos o MD.X como referência de empreendimento de saúde da EBX, teremos um hospital ultra-especializado e distante das necessidades mais comuns e frequentes, focado nas excessões lucrativas e elitizadas (certamente não dará atendimento a planos mais baratos). Clinica médica e pediatria serão certamente colateralidades - se tanto.


Mas é uma vitória e uma esperança. Se tiver pediatria, acho que até eu mando o currículo... mas não acredito no salário...  :/


Um abraço.

Emenda constitucional garante piso salarial para agentes comunitários de saúde

Os agentes comunitários de saúde (ACS) são profissionais peculiares, que trabalham fazendo a ponte entre a população e o Sistema Único de Saúde (SUS). A profissão surgiu na década de 80, em alguns municípios e estados brasileiros, sendo depois expandida para o país inteiro através do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Com a incorporação de médicos e outros profissionais de saúde às equipes, o PACS deu origem ao Programa Saúde da Família (PSF), que hoje atende a mais da metade da população brasileira, e se tornou a estratégia prioritária para a organização da atenção básica à saúde no Brasil. (Leia também minha explicação sobre o que é a estratégia Saúde da Família.) Certamente os ACS têm sido uma das experiências mais inovadoras do SUS, e agora com o piso salarial eles vão abrir ainda mais um precedente.

Como o ACS têm que morar no local em quem trabalham, foi necessário criar uma Emenda Constitucional (a EC 51) para regularizar a profissão. A regulamentação da EC 51, ou seja, a lei que diz como a Emenda Constitucional será aplicada, é a Lei nº 11.350, de 5 de outubro de 2006. Dia 4 de fevereiro de 2010 os ACS foram motivo de mais uma Emenda Constitucional, a EC 63, que atribui à União o poder de decidir o piso salarial e o plano de carreira dos ACS e dos agentes de controle de endemia (ACE), mesmo eles sendo contratados pelos municípios.

Paralelamente já tramitava o Projeto de Lei do Senado nº 196/09, que altera a Lei nº 11.350 de forma a exigir nível médio (2º grau) para os novos ACS e ACE, e a estabelecer o piso salarial nacional de R$ 930,00 para ambos. Esse Projeto de Lei não especifica se ou como será corrigido esse valor ao longo do tempo, e não contempla a questão do plano de carreira, previsto na Emenda Constitucional. O PLS nº 196/09 já foi aprovado pelo Senado, e agora tramita na Câmara dos Deputados. Se for aprovado sem alterações, deverá ainda ser sancionado pelo Presidente da República, e então poderá entrar em vigor.

Não é pouco dinheiro. De acordo com a Confederação Nacional de Municípios (CNM), se o projeto de lei for aprovado como está, as despesas anuais dos municípios com os ACS aumentarão em quase R$ 1 bilhão (como a nota fala em 238 mil agentes, presumo que esteja referindo-se apenas à remuneração dos ACS). A entidade se queixa de que mais uma vez, o Congresso aprovou uma proposta sem indicar a fonte dos recursos, mas na verdade a Emenda Constitucional não especifica o valor; quem o faz é o Projeto de Lei, que na sua versão atual também diz: A União deverá efetuar, por meio de recursos de seu orçamento, repasse financeiro [...] a fim de garantir o piso mínimo de vencimento [...]. Atualmente o Ministério da Saúde já tem um repasse aos municípios que é proporcional ao número de ACS, mas quando o repasse per capita aumenta o município não é obrigado a aumentar o salário dos ACS.

A conquista dos ACS e dos ACE é um marco na valorização dos profissionais que constroem o SUS. Não conheço qualquer outra profissão de saúde que tenha um piso salarial igual para todos os municípios, e menos ainda alguma com a garantia de um plano de carreira. Espero que a novidade impulsione os profissionais do SUS a conquistar vínculos empregatícios decentes e remunerações adequadas. As entidades médicas, por exemplo, estão há anos pleiteando que a Medicina seja considerada uma carreira de Estado. Vamos ver no que dá.

Psicanálise ao alcance de todos


Há muitas pessoas que consideram a psicanálise uma área de conhecimento obscura, pornográfica, restrita aos intelectuais e que usa e abusa de jargões inexplicáveis. Contudo, trarei aqui exemplos do quanto grandes psicanalistas esforçaram-se para atingir o público leigo e indico esses como os caminhos pelos quais esses mitos podem ser derrubados.

Sigmund Freud proferiu suas “Conferências Introdutórias sobre Psicanálise” (Imago), em 1916, a um público supostamente desconhecedor da psicanálise. Essas conferências podem ser consideradas resumos das descobertas de Freud durante o primeiro período da psicanálise. O texto é escrito em uma linguagem acessível e direta, sem obstáculo para o leitor comum. Na realidade, em vários países, a obra de Freud é reconhecida por essas características e o caráter hermético é atribuído por muitos especialistas à tradução (Tradutore, Traditore). A prova disso, como já mencionei em outros posts, foi o prêmio literário Goethe concedido a Freud em 1930.

Donald Winnicott fez cerca de 50 palestras radiofônicas para a BBC entre 1939 e 1962, quase todas dirigidas aos pais. O livro “Conversando com os Pais” (Martins Fontes) reúne todas as palestras em rádio feitas depois de 1955. A edição é organizada por Clare Winnicott, Christopher Bollas, Madeleine Davis e Ray Shepherd, e a introdução é do notável pediatra T. Berry Brazelton. As palestras radiofônicas serviram ainda de base para o livro “A criança e o seu Mundo” (LTC).

Conversando com os Pais (Martins Fontes)

Parte da fama de indecifrável conferida a Jacques Lacan está relacionada ao fato de sua obra ter sido extraída de seus seminários. Ao converter uma obra falada em escrita, muito se perde, especialmente as referências. O prejuízo da conversão é maior pelo fato de Lacan ter elaborado a sua releitura de Freud valendo-se de conceitos oriundos de outras áreas de conhecimento, como matemática, lógica e linguística. Nesse caso, a recuperação dessas referências é fundamental, mas disso encarregaram-se os seus sucessores.

Eu gosto de recomendar a leitura dos livros acima citados para pessoas que se interessam em travar um primeiro contato com Freud e Winnicott. Não é por acaso que psicanalistas, como José Outeiral, são convidados por escolas para proferir palestras a professores, pais e alunos. A abordagem simples e sincera é a melhor maneira de despertar nos leigos o interesse pelo conhecimento.

Existem também projetos sociais que oferecem tratamento psicanalítico a pessoas de classes sociais mais baixas. O precursor desse tipo de projeto em Brasília foi o professor Richard Bucher, que idealizou e implementou um modelo de recuperação de dependentes químicos baseado na abordagem psicanalítica. O Centro de Orientação Sobre Drogas e Atendimento a Toxicômanos (CORDATO), foi inaugurado por Bucher e uma equipe multiprofissional em 1986, com o apoio da Universidade de Brasília.

Apesar de sempre haver aqueles que se alimentam de mitos, os conceitos psicanalíticos fazem parte do vocabulário popular e, depois de mais de cem anos do seu emblemático “A Interpretação dos Sonhos“, Freud continua a influenciar pensadores. E não perco a esperança de que a obra de Freud em domínio público sirva para que a psicanálise torne-se ainda mais popular, e alcance algo próximo do que ocorre em outros países, como na Argentina.

Educando crianças: os conselhos de especialistas

preescolar35 Alguns especialistas se esmeram em prescrever aos pais “a” maneira correta de educar os filhos, como se fossem instruções de montagem de determinados objetos, as quais, se não forem seguidas da única maneira estabelecida, impossibilitarão obter os resultados adequados.

Com crianças, evidentemente, não é assim que funciona.

Ao contrário dos manuais de instruções, nos quais está implícito que só há um modo correto de fazer, existem muitas maneiras diferentes de educar uma criança, sendo um direito dos pais escolherem aqueles métodos que considerarem os melhores.

Especialistas podem ajudar, e muito, proporcionando informações e sugestões, relatando experiências e exemplos, revelando o que em muitos casos comprovadamente não deu certo. Eles podem indicar caminhos, mas são os pais que escolhem quais vão seguir.

Quando se afirma que “esta é ‘a maneira de fazer”, estamos misturando um pouco de presunção e muito de reducionismo. Dizer que existe uma única forma de agir para não cometer erros obscurece a criatividade e a espontaneidade dos pais, retira a oportunidade de aprender através dos erros e dos acertos e conduz a uma relação entre pais e filhos mecânica, formal e limitada por regras pré-estabelecidas.

Educar crianças não é como um jogo que se joga de acordo com regras determinadas e imutáveis, nem é semelhante a montar um móvel ou um aparelho, quando é preciso seguir todos os passos conforme as orientações do manual, pois caso contrário o resultado final não será correto.

Ao contrário do que afirmam alguns especialistas, há muitas formas diferentes de educar uma criança e a limitação de opções torna esta tarefa mais difícil. Aos pais deve-se proporcionar opções, nunca determinações.

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Filhos Seguros, Pais Tranquilos

Esta notícia eu tirei do Thiago Mendanha, porque achei relevante para todos nós pais que temos filhos que sabem que o computador acessa a internet. 


Organizado pelo Volney Faustini, e contando com co-autores, dos quais estou incluído, saiu a primeira versão, ainda no formato digital, do livro "Filhos Seguros, Pais Tranquilos:

Entendendo o potencial da Internet e garantindo a integridade dos nativos digitais".


O livro produzido tem por finalidade uma linguagem acessível e clara para aqueles que entendem a necessidade do cuidado e trato com a Internet e as crianças, adolescentes e jovens, os nativos digitais. É uma busca pela compreensão de termos e gírias próprias do ambiente da web. É um manual que procura analisar a inferência da Internet na integridade e formação de nossos filhos e tenta conceber soluções e dicas que vão de encontro à realidade da Internet.

A distribuição do livro é gratuita. Você pode baixar clicando aqui.

Um abraço.

Estudo confirma que mudanças de hábitos podem ajudar no controle da enxaqueca em crianças


 

Enxaqueca não é coisa só de adultos. As crianças já podem apresentar este tipo de dor de cabeça, os meninos começando em média aos 7 anos e as meninas um pouco mais tarde, aos 11 anos. Quando as crises de enxaqueca passam a ser muito freqüentes, é indicado um tratamento que vai além dos analgésicos para aliviar a dor. O tratamento pode ser feito com o uso de medicações de uso diário, também chamado de tratamento profilático, que trabalhará a química cerebral para reduzir a freqüência e intensidade das crises. Entretanto, algumas pesquisas têm demonstrado que a mudança de certos hábitos de vida pode colaborar para o controle das crises de enxaqueca, especialmente nas crianças.

Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Headache, jornal oficial da Sociedade Americana de Cefaléia, confirma que as crianças podem ter melhora significativa de suas crises ao evitar exposição direta do sol na cabeça, quando têm regularidade nos horários de dormir, acordar e se alimentar, e quando assumem uma dieta que evita alguns alimentos que costumam desencadear crises, entre eles: carnes processadas, queijos amarelos, chocolate, alimentos com glutamato (ex: miojo, molho Shoyu). O estudo ainda revelou que as crianças com menos de seis anos foram as que mais tiveram benefícios desses cuidados.

Esses resultados reforçam a prática que muitos médicos têm de tentar otimizar hábitos como sono e dieta das crianças antes da introdução de um tratamento medicamentoso. Essa é uma prática ainda controversa, mas uma recomendação inequívoca é a de que a criança deve evitar a exposição a estímulos que já foi reconhecido como fator desencadeante de crise no seu caso específico. Não existem listas de proibições que devem ser aplicadas de forma generalizada, mas não custa evitar aquilo que não faz bem à saúde das crianças num sentido mais amplo, como é o caso de um sono irregular.

Venda de bebida alcoólica à adolescentes

senado Projeto de lei do senador Tasso Jereissati, aprovado dia 03/02/10 pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal pretende alterar as penas para quem vender, fornecer, servir ou entregar bebida alcoólica a criança ou adolescente

Atualmente a Lei de Contravenções Penais define a prática de servir bebida a adolescente como "mera infração penal de menor gravidade", punível com apenas dois meses a um ano de prisão simples, segundo o Senador. No seu projeto de lei, passa a ser crime sujeito a pena de seis meses a quatro anos de detenção, punível ainda com multa.

Leia mais na Agência Senado.

Lamenta-se apenas que ainda não foi desta vez que o Congresso enfrentou de forma consistente a questão da proibição ou restrições em relação à propaganda de bebidas alcoólicas. No Brasil a fiscalização do cumprimento de leis e a punição dos infratores, por diversos fatores, são difíceis de serem executadas.

A diminuição do estímulo ao consumo pode ser um instrumento valioso como estratégia para reduzir o uso de bebidas alcoólicas por adolescentes. Um exemplo de que esta estratégia é positiva é o que foi feito em relação à propaganda de cigarros. 

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Ensinar a usar o penico e "largar" as fraldas...

     As informações abaixo orientam os pais na "arte" de ensinar aos seus filhos a usar o penico. Converse com o pediatra sobre essa etapa importante do desenvolvimento.

Título: Your Child's Health
Autor: BARTON D. SCHMITT
Editora: BANTAM BOOKS, 1999

     Como Usar o Banheiro: Princípios Básicos
     Definição
    Seu filho terá aprendido a usar o banheiro quando, sem ninguém lembrar, for ao vaso sanitário, despir-se, urinar ou defecar e vestir a roupa. Algumas crianças aprenderão a controlar primeiro a bexiga, outros iniciarão primeiro o controle dos intestinos. É possível realizar simultaneamente o treinamento para ambos os tipos de controle. O controle da bexiga durante a noite geralmente começa alguns anos após o controle diurno. O método gradual de ensinar a usar o banheiro descrito aqui geralmente pode ser concluído em um período de 2 semanas a 2 meses.

     Sinais de que seu filho está pronto para aprender a usar o banheiro
     Não inicie o treinamento até que esteja claro que seu filho está pronto. A criança estar preparada não é algo que ocorre espontaneamente; requer conceitos e habilidades que você pode começar a ensinar a seu filho a partir dos 12 meses de idade. Pode ser útil ler para seu filho livros especiais sobre como usar o banheiro. Quase todas as crianças podem estar preparadas para aprender a usar o banheiro aos 2 anos de idade e algumas estão preparadas aos 18 meses. Quando seu filho tiver 3 anos de idade, provavelmente terá aprendido a controlar-se sozinho. Os seguintes sinais indicam que seu filho está pronto para aprender:
- Seu filho entende o que quer dizer "xixi", "cocô", "seco", "molhado", "limpo", "sujo" e "peniquinho" (ensine para ele essas palavras).
- Seu filho entende para que serve o peniquinho. Ensine isso deixando-o observar os pais, seus irmãos maiores e outras crianças que tenham mais ou menos a mesma idade dele enquanto usam o banheiro corretamente.
- Seu filho prefere as fraldas limpas e secas. Troque-o frequentemente para fomentar essa preferência.
- Seu filho gosta que o troquem. Tão logo ele começe a andar, ensine-o que vá até você imediatamente quando estiver molhado ou sujo. Elogie-o por ir até você para que o troque.
- Seu filho entende a relação entre as calças secas e o uso do peniquinho.
- Seu filho pode reconhecer a sensação da bexiga cheia e a necessidade de defecar, quer dizer, caminha de um lado para outro, dá pulos, põe as mãos sobre os genitais, tira as calças, se senta com as pernas encolhidas. Ajude-o a entender estes sinais: "seu corpo quer fazer xixi ou cocô; ele precisa de sua ajuda". Ensine-o a procurá-la nestes casos.
- Seu filho tem a capacidade de adiar um pouco o ato de urinar ou defecar. Pode ser que se afaste um pouco e volte molhado ou sujo, ou pode ser que acorde seco.

     Método para ensinar seu filho para usar o banheiro
     A forma de ensinar a seu filho a usar o banheiro consiste em proporcionar-lhe estímulo e elogio, seja paciente e faça com que o processo se torne divertido. Evite qualquer pressão ou castigo. Seu filho deve sentir que ele controla o processo.

1. Compre o que for necessário:
- Cadeira com peniquinho (do tipo ao nível do chão). Se os pés alcançam o piso quando estiver sentado no peniquinho, seu filho pode fazer força e ainda ter sensação de segurança. Ele também pode sentar e levantar sempre que quiser.
- Suas guloseimas favoritas (tais como saladas de frutas, biscoitos salgados e doces) podem ser usadas como recompensas.
- Figurinhas ou estrelas adesivas como prêmios.

2. Faça com que a cadeira do peniquinho seja uma das posses favoritas de seu filho
Várias semanas antes de começar a ensinar seu filho a usar o banheiro, leve-o com você para comprar a cadeira com penico. Esclareça para ele que esta é sua própria cadeirinha especial. A criança pode ajudar a por seu nome na cadeira. Deixe que a criança decore a cadeira ou mesmo que a pinte de cor diferente. A seguir, faça com que se sente nela totalmente vestido até que se sinta cômodo utilizando-a como assento. Faça-o sentar-se na cadeira enquanto assiste televisão, toma algum lanche, entretém-se com algum brinquedo ou enquanto olha algum livro. Mantenha a cadeira em um quarto onde seu filho brinca sempre. Só após seu filho ter claramente uma preferência pela cadeira com penico (após pelo menos 1 semana), começe a ensinar-lhe a usá-la como deve.

3. Estimule os períodos de prática com o penico
Faça um ensaio prático a cada vez que seu filho der um sinal que pareça ameaçar uma evacuação ou micção, tais como sons ou expressões faciais, grunhidos, pôr as mãos sobre os genitais, tirar as calças, andar de um lado para outro, sentar-se de cócoras, contorcer-se ou soltar gases. Outras boas ocasiões são após as sestas ou 20 minutos após as refeições. Diga para ele, de forma estimuladora: "o cocô (ou xixi) quer sair; vamos usar o peniquinho". Cuide para que vá até o penico e sente- se sem calças ou fraldas. A seguir, você pode dizer para a criança: "faça o xixi no peniquinho". Se seu filho não quiser colaborar, incentive-o a sentar-se sobre o penico fazendo algo divertido, como por exemplo, ler uma história. Se seu filho quiser levantar-se após um minuto que o esteja incentivando, permita que faça isso. Nunca o obrigue a permanecer sentado. Nunca o force fisicamente a ficar sentado no penico nem o intimide com chinelos ou correias. Mesmo que seu filho pareça gostar de ficar sentado ali, termine cada sessão após 5 minutos a não ser que esteja obtendo resultado.

4. Elogie ou recompense seu filho por sua cooperação ou por qualquer êxito
Toda a cooperação de seu filho nestas sessões práticas deve ser elogiada. Se seu filho urinar no peniquinho, você pode recompensá-lo com alguma guloseima ou figurinha, assim como com elogios e abraços. Mesmo que para algumas crianças o fato de ter conseguido já é suficiente, outras necessitam de algum prêmio para continuar progredindo. As grandes recompensas (como ir tomar um sorvete) devem ser reservadas para quando seu filho for para o penico sozinho e utilize-o, ou quando ele disser para você que quer ir ao penico e use-o com êxito. Após seu filho estar usando o penico por si só, as sessões de treinamento podem ser suspensas. Durante a semana seguinte, continue elogiando a criança freqüentemente por estar seco e por usar o peniquinho. As sessões de prática e os lembretes não devem ser necessários por mais de 1 ou 2 meses.

5. Troque seu filho após os "acidentes"
Troque seu filho tão logo seja possível, mas mostre-se compreensiva. Diga a ele algo como "você queria fazer xixi no penico, mas fez na roupa; sei que incomoda porque gosta de ficar seco - logo melhorará". Se você sentir necessidade de criticar, limite a crítica a uma leve desaprovação verbal e use-a em raras ocasiões (por exemplo, "as crianças grandes não fazem xixi nas calças", ou mencione o nome de outra criança que seu filho gosta e que já sabe usar o banheiro); a seguir, troque a fralda ou coloque calças plásticas de forma tão prazerosa quanto possível e sem irritar-se. Evite o castigo físico, os gritos e os resmungos. A pressão ou a força podem fazer com que uma criança de 2 anos de idade deixe de cooperar completamente. Não mantenha seu filho molhado ou sujo como forma de castigo.

6. Vista seu filho com calções após começar a usar o peniquinho
Troque as fraldas por calções após seu filho começar usar o penico e faça aproximadamente metade de suas micções e defecações nele. Seu filho decididamente estará pronto para usar calções de treinamento se chamá-la para o ajudá-lo a retirar a fralda para usar o penico. Leve seu filho com você para comprar os calções e converta isto em recompensa por causa de seu êxito. Compre calções frouxos que seu filho possa retirar e colocar facilmente sem ajuda. Uma vez que ele começe a usar estes calções, use fraldas apenas quando ele for tirar uma soneca e durante a noite.

Novidades no calendário vacinal 2010

Segundo matéria do JT de 2 de fevereiro deste ano, o calendário básico de vacinação da rede pública passa a oferecer este ano, para cianças menores de 2 anos, duas novas vacinas contra os tipos mais comuns de meningite, pneumonia e outras doenças bacterianas.
A partir de março já estará disponível a pneumocóica 10-valente, que protege contra os 10 principais sorotipos da bactéria pneuococo. Além de ser a principal causa de pneumonias em todas as faixas etárias, o pneumococo é a seugunda maior causa de meningite bacteriana no País. A vacina antimeningococo C, que protege contra a forma mais comum de meningite bacteriana, sera oferecida a partir de agosto.
Boas notícias essas. Quanto maior e mais robusto o calendário vacinal chamado básico, mais preventivo passa a ser o investimento do governo em saúde. Náo tenho dados sobre o impacto sobre os custos deste tipo de medida, nem sobre os custos tardios economizados com internações, tratamentos e óbitos. Mas sei dizer que certamente diminuirá o custo emocional e familiar de ter um filho morrer de meningite ou pneumonia grave.
É claro que essas vacinas não eliminam o risco da doença, até mesmo porque, como diz claramente a matéria, a vacina contempla uma parte dos sorotipos (os mais eficientes dentre os mais comuns). Mas a mera chance de diminuir este risco já vale.
Ano passado, neste esforço de manter meus filhos com a melhor cobertura vacinal possível, gastei R$1.115,00, em 3 parcelas de cartão de crédito (com vacinas para varicela, pneumo e meningo). Apesar de ser MUITO dinheiro, me senti muito bem em gastá-lo, pois trata da vida dos meus filhos. Mas digam, quantas pessoas dispõem deste dinheiro (ou deste limite de cartão de crédito)? Se olharmos pelo prisma dos leitores deste blog, certamente muitos ou todos. Mas considerando o país, onde existe uma IMENSA MULTIDÃO de miseráveis e pobres, isto é um tremendo ganho. Neste país que se preocupa primeiro em chamar de sair da linha da miséria, a possibilidade do indivíduo ter crédito para trocar de geladeira ou televisáo, ter acesso a vacinas que custem mais de R$300,00 é muito importante.
Fico relmente satisfeito em ver inve$timento em medidas preventivas. Costumam ser eficazes a médio e longo prazo e podem sim ser usadas em campanhas eleitorais.
Outra característica importante da atenção às vacinas no Brasil é o fato de o não cumprimento da vacinação de seus filhos implica em uma série de restrições sociais à família: admissão com carteira assinada, admissão em concursos públicos, matrículas escolares das crianças, dentre outras. Portanto, vacine seus filhos com felicidade.
E agora, vamos esperar pela vacina contra a dengue - que provavelmente terá um dos maiores impactos sobre nossas estatísticas de verão.
Um abraço.

Não se usa colírio no “teste do olhinho”

Está amplamente divulgado na televisão e nos jornais que 12 bebês passaram mal após a aplicação de colírio no ambulatório de oftalmologia do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (HUCAM), mais conhecido como Hospital das Clínicas no Espírito Santo. Só que, na verdade, esses bebês não estavam fazendo o teste do olhinho.

O teste do olhinho, também chamado de teste do clarão pupilar e teste do reflexo vermelho, é um exame de rotina que é (ou deveria ser) feito em todas as maternidades, antes do bebê ter alta. Para fazer o exame basta o profissional, o recém-nascido, um oftalmoscópio e um ambiente escuro. Não se usa colírio no teste do olhinho.

Acontece que, quando alguma anormalidade é detectada no teste do olhinho, o recém-nascido é encaminhado ao oftalmologista para uma avaliação especializada. Além disso, bebês prematuros (nascidos antes do tempo) devem passar por uma avaliação oftalmológica 4 semanas após o nascimento. Em ambas situações, o oftalmologista vai fazer um exame de fundo de olho, e para isso ele precisa de que um assistente pingue um colírio para dilatar a pupila.

É o mesmo procedimento feito de rotina em consultas oftalmológicas em outras faixas etárias. Resta saber o por quê daqueles bebês terem sofrido aquela reação ao colírio de tropicamida. Seja qual for a causa, na prática ela é muito rara: o ambulatório funciona no HUCAM há cerca de 10 anos, e essa é a primeira vez em que algo do gênero acontece.

Por favor, ajudem a divulgar que o teste do olhinho é completamente seguro, e muito importante para a saúde dos nossos filhos!

Os pais quando conhecem o teor calórico dos alimentos fazem escolhas mais saudáveis para os filhos.


 

Um estudo publicado na última semana pelo periódico Pediatrics, jornal oficial da Academia Americana de Pediatria, revela que os pais escolhem alimentos menos calóricos para as crianças em uma rede de fast food quando o conteúdo de calorias dos lanches é disponibilizado pela lanchonete.

 

Pais de crianças americanas com idades entre três e seis anos que freqüentavam lanchonetes de forma episódica foram apresentados a um cardápio padrão do McDonalds com fotos e preços. Um outro grupo de pais foi apresentado a um cardápio que continha também informação do conteúdo calórico de cada item. Os pesquisadores solicitavam aos pais que escolhessem uma refeição para eles e também para as crianças. Aqueles que tiveram acesso ao cardápio com conteúdo de calorias escolheram uma refeição para as crianças com 102 calorias a menos em média do que aqueles que utilizaram o cardápio padrão. As 102 calorias a menos correspondiam a uma redução de 20% do conteúdo calórico da refeição das crianças e isso não é pouco: 100 calorias a mais na dieta do dia-a-dia  é capaz de provocar um ganho de peso de 4 a 5Kg num período de um ano.

 

 O presente estudo sugere que os pais têm uma tendência a escolher alimentos mais saudáveis para seus filhos, mas eles precisam de ajuda. Recentemente chegou-se a demonstrar que até mesmo experientes profissionais da área de nutrição têm dificuldade em estimar o conteúdo calórico de diferentes refeições. Além disso, os pais tendem a julgar que seus filhos estão com peso dentro da normalidade. Uma pesquisa publicada na última edição do periódico Acta Paediatrica revela que, na Holanda, 75% de mães de crianças com sobrepeso e 50% das mães de crianças obesas acreditam que o peso dos filhos está dentro dos padrões normais.

 

Nos EUA, vários estados já exigem que restaurantes exibam as informações de conteúdo calórico nos painéis expositores de produtos e preços assim como nos cardápios. A resistência da indústria alimentícia a esse tipo de proposta não é nada pequena e, no Brasil, essa discussão está apenas no início.  

 

Dicas de como comer fora com as crianças de forma saudável:

 

- Comer fora deve ser a exceção e não a regra. Coma mais em casa;

- Dê exemplo. Leia o cardápio e aproveite para discutir com as crianças quais as opções mais saudáveis;

- Escolha as menores porções;

- Evite alimentos com alto teor calórico como as frituras e doces. Dê prioridade a alimentos saudáveis como legumes, saladas, frutas e iogurte. O que pode ser grelhado é melhor do que frito. Escolha suco de fruta, água ou leite desnatado no lugar de refrigerantes e sucos artificiais.

 

KAZA Bebê

Em dezembro passado, tive a alegria de ver um artigo meu publicado na revista KAZA Bebê. Não consigui o link para a edição, mas vou postar o artigo aqui para os pais dos primeiros meses de vida de um bebê.

Diz o que você acha:

A importância da rotina na vida do bebê de 0 a 12 meses.


Sem dúvida, quando recebemos o anúncio da chegada de um bebê, enchemo-nos de alegria, surpresa, angústia e expectativas. Muitos preparativos se iniciam, tanto na cabeça da mamãe quanto na vida da família.. Sem dúvida estas expectativas e todo o preparo para a sua chegada são banhadas de muito amor e várias dúvidas. Geralmente as primeiras medidas são procurar um médico obstetra para avaliar a mamãe e o bebê (o que chamamos de pré-natal) e preparar um cantinho para quando ele e chegar. Passados estes momentos de preparo e espera, nasce o bebê. É então que começa um dos melhores e também intensos momentos da vida de muitas famílias. Principalmente se este é o seu primeiro filho. É difícil se preparar para algo tão novo. No entanto, leia com atenção este artigo no qual falaremos das rotinas do bebê.


Não vou perder tempo falando de regra de bolo. Na verdade regras são chatas e devem ser seguidas quando muito importantes. Falaremos de rotinas. Rotina é um planejamento do dia. Algo que se faz sempre, todo o dia. Todo mundo tem a sua. Você acorda, escova os dentes. Tem gente que toma café da manhã, tem gente que come uma banana. Aí tem gente que vai para o trabalho, tem outra que vai para a academia, e assim por diante. Da mesma forma, o bebê precisa de uma rotina. Na verdade, ele já é exposto à sua rotina, desde o ventre. Você acha que não? Pois bem, você talvez se surpreenda, mas desde sempre o corpinho dele está acostumado a uma série de variações ainda na sua barriga. À noite, quando você dorme, ele é capaz de perceber que a vida ficou mais quieta, que você se movimenta menos. Quando você acorda, ele é exposto ao cortisol que seu corpo despeja no seu sangue, para que você dê conta do dia. Quando você fala com alguém de manhã e esta voz é sempre de uma mesma pessoa (o pai, a avó, a funcionária da casa), ele começa a reconhecer esta voz. Então, se depois do café você canta para ele, ele começa a ter prazer naquilo. Quando você come, e seu sangue se enche de novidades e de insulina e outros hormônios, ele também interagem com isto. Se você fica triste ou estressada no trabalho, não pense que ele não participa disto também.


Portanto, quando ele nasce, e é tirado da sua barriga, aquele mundo ao qual ele foi apresentado, no qual ele tinha aprendido a viver, se acaba. Toda uma nova vida se apresenta diante dele. Assim, uma nova vida se descortina e ele fará parte de uma nova rotina. Na verdade, as rotinas organizam o bebê e o preparam para aprender, para se alimentar, para descansar. Ele certamente vai se sentir mais seguro. A rotina também é importante para você, já que, mesmo que você esteja de licença maternidade e esteja plena de vontades de se "submeter aos desejos" no novo membro da familia, você também vai precisar dormir algumas horas por dia, vai precisar ir ao baheiro, escovar os dentes, ver televisão, ler a Kaza Bebê. Assim, é preciso estabelecer rotinas desde antes do nascimeto e tentar segui-las o melhor possível, sem muito drama ou neurose. Como me disse uma vez um colega médico, "a vida é uma trilha, não um trilho".


Assim, Desde sempre estabeleça rotinas possíveis. Uma hora para o banho (ou duas), uma hora para a histórinha, uma hora para o passeio, uma hora para o solzinho (geralmente cedo de manhã), uma hora para a massagem. Todos os cuidados devem estar preenchidos de conversas em português claro (ele ja reconhece a sonoridade do seu idioma e a sua voz), sempre se direcionando a ele com os dois olhos (ou seja com atenção e interesse) e muitos sorrosos - ele vai gostar. Não encha o dia de atividades. O importante é dividir o dia em atividades, como eu disse, possíveis e poucas. Um exemplo do benefício disto é que estas rotinas devem estar presentes durante o dia, com as cortinas abertas, com claridade e sons do dia. À noite, ele será amamentado, e será cuidado, é claro, mas sem as atividades, os sons e a agitação do dia. Assim, aos pouquinhos, ele vai começar a querer ficar mais ativo durante o dia e dormir mais à noite, e assim, por volta dos 3-4 meses, ele vai dormir mais à noite, mamar menos à noite, e você também. Além disso, vocês dois vão comceçar a se curtir mais durante o dia, criando expectativas. Você vai perceber que "tá na hora do soninho" e ele vai sinalizar com as máos sobre os olhos. Quando chegar "a hora do passeio", ele vai ficar excitado e gritando e se agitando. Quando chegar a hora da massagem, ele vai te avisar de alguma forma. A vida vai ficar mais gostosa e mais cadenciada, mais descansada e vocês mais felizes. O papai também vai ter sua hora na rotina, para a mamãe se cuidar e para o bebê começar a reconhcê-lo também (por alguns meses, o papai vai se sentir "de fora da festa"). Mas é assim mesmo, depois melhora.


Para terminar, vale lembrar de duas coisas muito importantes. A primeira é que cada família tem sua rotina, tem seus elementos, tem suas características. Portanto, cada família vai montar seu dia e fazer o dia do bebê à sua própria maneira. Segundo, não tente encher o dia do bebê de muitas coisas o dia inteiro. A vida do recém-nascido e do lactente pequeno já é estressante por si só. Portanto, os "momentos" desta rotina devem ser poucos e calmos, sempre respeitando o rítimo e o sono de cada bebê. Sim, cada bebê tem seu jeitão, mesmo que sejam irmãos gêmeos.


Um abraço.

Pontos de contato: períodos de transição no desenvolvimento infantil

bebe a1 O pediatra norte-americano Berry Brazelton, um dos mais importantes pesquisadores do desenvolvimento infantil, descreve o que ele denomina de “pontos de contato” como períodos curtos entre fases diferentes da evolução da criança, nos quais ela pode apresentar alterações em seu comportamento, incluindo atitudes regressivas e problemas nos hábitos alimentares e de sono.

Segundo Brazelton, existem onze pontos de contato da gravidez até a criança completar três anos de idade e os pais devem ter conhecimento de que algumas regressões transitórias no comportamento infantil são características normais do seu desenvolvimento. A par desta informação, os pais terão mais tranqüilidade e segurança para proporcionar à criança mais apoio e confiança nestes períodos mais difíceis de transição.

Cientes de que estes períodos de turbulência são normais e transitórios, os pais conseguem manter um relacionamento mais estável com o bebê nos primeiros anos de vida. Segundo Brazelton, se os pais entenderem que estes momentos de regressão são um período de reorganização, eles estarão mais aptos a se envolverem de forma mais intensa com a criança ao deixarem de se preocupar tanto com comportamentos que fazem parte do processo normal de desenvolvimento.

Estes pontos de contato ocorrem, por exemplo, no final da gravidez, quando o bebê deixa de ser um recém-nascido (ao completar um mês de idade) e com dois, quatro, sete e nove meses de idade. São períodos nos quais ocorrem aquisições importantes no desenvolvimento, tais como um maior contato com o ambiente e o surgimento do sorriso, a mudança da posição de deitado para sentado, o início da movimentação pelo ambiente (engatinha), o erguer-se e o ficar em pé apoiado em móveis.

Após completar um ano de idade há outros períodos de transição importantes, onde as mudanças de comportamento ocorrem com frequência. Neste período vai ocorrer a aquisição da fala, a criança começa a andar, deixa de usar fraldas, entre outras novas habilidades importantes.

Quando os pais entendem que a criança tem a necessidade de vivenciar o seu padrão de desenvolvimento a seu modo e com um mínimo de conflitos, estarão lhe proporcionando mais autonomia e segurança.

No texto Fases difíceis no desenvolvimento infantil há mais informações sobre estes períodos.

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O Homem dos Lobos pelo Homem dos Lobos


Minha irmã trouxe da sua última viagem aos Estados Unidos um presente para mim, o livro “The Wolf-Man by the Wolf-Man: The double story of Freud’s most famous case“, publicado pela Basic Books. Tenho a impressão que o livro está esgotado, pois não encontrei informações sobre ele no site da editora, nem exemplares novos à venda.

“The Wolf-Man by the Wolf-Man” foi editado por Muriel Gardiner, tem prefácio de Anna Freud e é dividido em três partes. A primeira parte é chamada de “The Memoirs of the Wolf-Man” [A autobiografia do Homem dos Lobos], a segunda recebeu o título “Psychoanalysis and the Wolf-Man” [Psicanálise e o Homem dos Lobos] e a última parte é “The Wolf-Man in the later life” [O Homem dos Lobos em vida posterior]. Além disso, há uma seção de fotos de família, na qual aparecem: o Homem dos Lobos (criança e adulto), a mãe, o pai, a irmã Anna, a “Nanya” e a esposa. A segunda parte é a que contém o caso, de Sigmund Freud, e um suplemento, de Ruth Mack Brunswick.

O livro tem 366 páginas e ainda existem exemplares à venda na livraria Amazon, porém todos usados. A Amazon informa o estado de cada exemplar e alguns deles estão em estado muito bom.

O nome real do Homem dos Lobos é Sergei Pankejeff (1886-1979), um aristrocrata russo que recebeu essa alcunha por causa de um sonho no qual viu uma árvore com lobos sentados nos galhos. O desenho do próprio paciente ilustra a capa do livro.

James Strachey, editor inglês de Freud, afirma que esse é o caso mais elaborado e o mais importante de todos os casos clínicos de Freud. O caso foi publicado em 1918, com o título “História de uma neurose infantil”, e faz parte do volume XVII da Edição Standard Brasileira, da Imago.

A Jorge Zahar Editor publicou uma série de depoimentos prestados por Sergei Pankejeff à jornalista austríaca Karin Obholzer, em uma entrevista realizada nos anos 70. O nome do livro é Conversas com o Homem dos Lobos.