Concurso de especialista em Psicologia 2010

A assessora técnica do Conselho Federal de Psicologia, Mirella Imbroisi, informou à psicóloga Lara Ghenov de Castro que haverá concurso de especialista em Psicologia Clínica ainda este ano.

A prova está prevista para acontecer em setembro. Não há informações se o Instituto Quadrix será responsável pelo concurso, mas a assessora mencionou ter ciência de que no último concurso houve várias queixas de candidatos em relação à empresa.

Estamos aguardando detalhes sobre o concurso.

Muito obrigado a Lara Ghenov e a Kelly Castro por compartilharem conosco essas informações.


Bom humor e saúde andam juntos... mas nem tanto.

Já faz tempo que o bom humor é considerado fator fundamental para a boa saúde. Aliás, apesar desse tom irritadiço que este singelo blog apresenta, eu até tenho algum humor. Um bom exemplo, é que um ótimo artigo do respeitadíssimo dr. Ricardo Teixeira sobre humor e saúde, eu fiz questão de colocar um link para o site do Senado (o jornal do Senado brasileiro dizer que tem que ter humor para ter saúde, é uma piada intrínceca - se é que você me entende...). Outro bom link, igualmente sério (e mais técnico), você tem aqui.


Não só o bom humor, mas uma tal de resiliência (aqui e aqui) ajuda muito a sobreviver ao inevitável estresse. Até onde eu conheço, cariocas são um dos melhores exemplos desta combinação bom humor + resiliência. Tanto, que o venerável dr. Carlos Scherr, cardiologista famoso, publicou um livro em que indica o ESTILO IPANEMA de vida, como um estilo saudável de vida. Veja um exemplo prático do que eu estou falando. Aconteceu esta semana do badalado Baixo Gávea:

Baixo Gávea Debaixo D'água from Mellin Videos on Vimeo.

Esses caras podem até morrer de leptospirose, dengue, hepatite A, e outras maselas... mas infartar eu duvido... :)

Como eu comentei em outro blog, de onde tirei este vídeo, bom humor tem limite. Assim, vive-se bem, mas paradoxalmente vive-se mal, porque tudo parece bem, não há idignação, mas também não há mudança, não há melhora... Por isso que o Rio continua lindo.... mas cada vez mais largado...

Um abraço. Em abril, estarei aí matando as saudades.

Como prevenir a artrite (osteoartrose)

Quando as pessoas falam em artrite ou reumatismo, em geral estão pensando na doença que os médicos conhecem como osteoartrose (também chamada de osteoartrite). Não confundir com osteoporose ou artrite reumatoide! A osteoartrose é uma das doenças mais importantes da terceira idade, tanto pela frequência quanto pela dependência que pode trazer. Apesar de ser mais comum após os 50 anos, a artrite não faz parte do envelhecimento saudável. Assim como a hipertensão, a diabetes e outras doenças incuráveis, a osteoartrose deve ser bem controlada para que não traga consequências, mas além disso pode ser evitada ou ter seu aparecimento adiado. Confira as cinco recomendações abaixo:

  • Emagrecer. O sobrepeso e a obesidade estão associadas entre as mulheres à osteoartrose de joelho, e em menor grau à de quadril. As chances de uma mulher ter osteoartrose de joelho aumentam em 60% para cada 5 kg de peso a mais. Além disso, as mulheres que perdem 5 kg de peso reduzem em 50% seu risco de desenvolver osteoartrose de joelho.
  • Comer bastante frutas, verduras e legumes. A Organização Mundial da Saúde recomenda que as pessoas comam ao menos 400g desses alimentos por dia, e numa série de estudos observou-se que a quantidade ótima era a partir de 600g por dia. No caso da osteoartrose, uma alimentação rica em vitamina C ou D diminui em três vezes o surgimento e/ou a piora da osteoartrose.
  • Praticar atividade física. A fraqueza do quadríceps, músculo que fica na frente da coxa, está associada ao desenvolvimento de osteoartrose no joelho.
  • Ser cauteloso com esportes de impacto. O futebol, o basquete e o futebol americano são exemplos de esportes que podem levar à osteoartrose. Acredita-se que o risco possa ser minimizado através do treinamento adequado e, no caso de uma lesão, através da completa recuperação da junta envolvida antes do retorno ao esporte.
  • Evitar certos tipos de trabalho. Mulheres que trabalham com movimento de pinça (pegar algo com o indicador e o polegar) têm mais osteoartrose de mãos, e pessoas que precisam agachar e levantar peso têm mais osteoartrose de quadril e joelho.

Essas recomendações foram feitas com base numa revisão da literatura realizada pelo National Institute of Health dos Estados Unidos. Também fiz minha própria pesquisa, mas não encontrei qualquer publicação mais recente que acrescentasse alguma informação relevante.

Curiosamente, boa parte dos estudos citados foram realizados na cidade americana de Framingham, mais conhecida entre os médicos pela Escala de Risco de Framingham, capaz de prever o risco de infarto nos próximos 10 anos. Na verdade, vários fatores de risco cardiovasculares também se aplicam à osteoartrose, e vice-versa.

A única restrição a essas recomendações é que elas nunca foram testadas na prática. A fraqueza muscular, por exemplo, está associada à osteoartrose, mas nenhuma intervenção de fortalecimento da coxa foi feita para avaliar a prevenção da osteoartrose (embora existam estudos mostrando a melhora da dor de quem já tem a doença). Da mesma forma, observou-se que quem emagrecia diminuía o risco de osteoartrose, mas nenhuma pesquisa estudou se programas de auxílio ao emagrecimento efetivamente previnem a osteoartrose.

Como eu sempre digo, a gente trabalha com o que tem. Administradores públicos ou de planos de saúde podem preferir que o dinheiro seja investido em intervenções comprovadamente efetivas, mas as evidências são suficientemente fortes para as pessoas pensarem carinhosamente em praticar as recomendações acima. Até porque ter um peso normal, fazer atividade física e comer frutas, verduras e legumes são recomendações importantes para qualquer pessoa. (Leia também: Conheça os 10 maiores fatores de risco para a saúde da mulher.)

Freud em edição de bolso já disponível

A L&PM Editores disponibilizou hoje dois livros da edição de bolso de Sigmund Freud. Os títulos são “Totem e tabu” e “O mal-estar na cultura“, traduzidos do alemão por Renato Zwick. A propósito, o site da L&PM disponibilizou uma entrevista com o tradutor.

A partir de hoje, os livros podem ser adquiridos pelo site da editora, mas em breve chegarão às livrarias. O valor de cada um é R$ 14,00.


Como se prevenir contra a AIDS

Ontem a enfermeira Andressa Campos me apresentou um vídeo muito espirituoso sobre como se proteger do HIV. Trata-se de uma propaganda da organização não governamental francesa AIDES, que luta contra a AIDS e as hepatites virais. Importante avisar que o conteúdo não é adequado para crianças.

Mulheres que consomem bebidas alcoólicas com moderação ganham menos peso que as que não bebem, conclui estudo.

 

Mulheres com peso normal e que fazem uso leve ou moderado de bebidas alcoólicas têm um menor risco de sobrepeso e obesidade do que aquelas que não bebem, é o que aponta estudo publicado na última edição do periódico Archives of Internal Medicine.

A bebida alcoólica tem alto teor calórico e é esperado que seu consumo regular seja um fator de risco para obesidade. Entretanto, as pesquisas realizadas até o momento para demonstrar essa associação têm mostrado resultados conflitantes, e uma das razões para essa discordância é a inclusão de indivíduos com sobrepeso ou obesidade já no início das pesquisas. O presente estudo é o primeiro a avaliar por um longo período o efeito do álcool sobre o peso de indivíduos com peso normal.

Pesquisadores de Boston nos Estados Unidos acompanharam 20 mil mulheres com 39 anos ou mais e com índice de massa corporal dentro dos limites normais (18.5 a 25). No início do estudo, 38% das mulheres não faziam uso de álcool, e as que bebiam usavam em sua maioria até 30 gramas diários de álcool. Durante um acompanhamento de 13 anos em média, as mulheres ganharam peso progressivamente e 41% delas passaram a ser classificadas como tendo sobrepeso ou obesidade. Já as mulheres que não faziam uso de álcool foram as que ganharam mais peso (3.63 kg). Aquelas que consumiam de 15 a 30 gramas de álcool por dia foram as que menos engordaram, 30% menos do que aquelas que não bebiam. Os vinhos tinto e branco, cerveja e licor, todos tiveram esse efeito no controle de peso, sendo que o vinho tinto foi a bebida que teve efeitos mais expressivos. E o que seria 15 a 30 gramas de álcool? Uma taça de vinho de 150 ml tem cerca de 14.5 gramas de álcool e uma latinha de cerveja de 350 ml tem 16.5 gramas.

Vale lembrar que só mulheres foram estudadas nesta pesquisa e que os resultados podem ser diferentes entre os homens. Existem evidências de que o álcool influencia o peso de homens e mulheres de forma distinta, especialmente porque as mulheres que consomem bebidas alcoólicas costumam reduzir a ingesta de alguns alimentos calóricos (ex: menos carboidratos), enquanto os homens simplesmente adicionam a bebida à sua dieta habitual. Essa tendência foi observada no presente estudo, mas existem também diferenças do metabolismo do álcool entre homens e mulheres que fazem com que os homens tenham mais chance de engordar com o álcool.

Esses resultados devem ser vistos com muita cautela, já que não existe nenhuma justificativa até o momento para se indicar o consumo de álcool por potencias efeitos medicinais, mesmo que em doses moderadas. A atual recomendação é que os médicos não indiquem o uso de álcool como se fosse um suplemento alimentar para prevenir doenças, muito menos para ajudar a controlar o peso. Devem recomendar às pessoas que não bebem que continuem sem beber, e às pessoas que já têm o hábito de beber, que não ultrapassem os limites de duas doses diárias para os homens e uma no caso das mulheres. Mas isso também está mudando.

Já é bem reconhecido que o consumo leve a moderado de álcool reduz o risco de doenças como o infarto do coração, derrame cerebral e a doença de Alzheimer. Do outro lado da moeda está o risco de câncer. Estudos recentes têm demonstrado que não existe dose segura para o consumo regular de álcool. Mesmo o consumo leve a moderado está associado a um maior risco de diferentes tipos de câncer como o de mama, reto e fígado. Não se deve pensar no álcool como um elemento promotor da saúde da população, pois muitas pessoas atravessarão a barreira entre o consumo moderado e o consumo exagerado. Esse consumo exagerado é responsável por uma em cada 25 mortes no mundo, e como se não bastasse as mais de cem doenças secundárias ao álcool, ainda temos os enormes problemas sociais que estão associados ao seu consumo. 
 

  


Passando a limpo a TPM. Suas origens e soluções.

 
 

 

Artigo publicado hoje no Blog Saúde para Todos - Correio Braziliense

 
Por Dr. Ricardo Teixeira
 
 
 
 
 
 

É no mínimo intrigante quando nos deparamos com resultados de pesquisas no Brasil e no exterior mostrando que até 90% das mulheres sofrem de algum grau de tensão pré-menstrual, problema que hoje é mais corretamente chamado de síndrome pré-menstrual (SPM), pelo fato dos sintomas não se limitarem à tensão nervosa, ansiedade e irritabilidade. Outros sintomas comuns incluem alterações no padrão de sono e do apetite, humor deprimido, dor de cabeça, inchaço no corpo e dor na mama.

Não é difícil reconhecer o impacto da SPM na vida das mulheres se fizermos uma conta curiosa. A menstruação costuma começar entre os 12 e 13 anos de idade e termina por volta dos 50 anos. Mesmo descontando dois anos sem menstruação em mulheres que têm dois filhos ao longo da vida, contando com o período de amamentação, a mulher experimentará cerca de 450 ciclos menstruais na sua fase fértil. Se considerarmos que os sintomas da SPM duram uma média de 6 a 7 dias por ciclo, fechamos nossa conta com quase 3.000 dias de sintomas durante a vida: oito anos! Resumindo: as mulheres com SPM passam mais de 10% suas vidas com sintomas pré-menstruais.

E sendo a SPM uma condição tão freqüente, admite-se que ela possa representar uma vantagem evolutiva que herdamos dos nossos ancestrais e que talvez já não nos sirva muito mais. Nossos ancestrais fêmeas aumentavam suas chances de gerar descendentes devido a um comportamento mais “amigável” na fase fértil e mais “arisco” na fase infértil, como é o caso do período pré-menstrual. Entre os primatas, que apresentam comportamento sexual promíscuo, essa estratégia permite que o macho escolha a fêmea com mais sinais de fertilidade para copular.

Comparadas a mulheres de sociedades coletoras / caçadoras, as mulheres de hoje têm a primeira menstruação quase 4 anos mais cedo, têm menos filhos sendo que o primeiro em idade mais avançada e com períodos de aleitamento mais curtos, têm a menopausa também mais tardiamente. Tudo isso leva a mulher moderna a apresentar três vezes mais ciclos menstruais do que a mulher em ambiente mais primitivo, e, a princípio, pode sofrer até três vezes mais com os sintomas da SPM ao longo da vida.

O mais comum é que os sintomas da SPM sejam leves ou moderados, mas em cerca de 5-8% dos casos os sintomas adquirem sua forma e apresentação mais severa, também chamado de transtorno disfórico pré-menstrual. Nesses casos a mulher apresenta sintomas com significativo impacto no seu trabalho / escola, atividades sociais ou relacionamentos afetivos. 
 
O cérebro está cheio de receptores aos hormônios sexuais em regiões que regulam o comportamento e as emoções, como é o caso da amígdala e o hipotálamo. Entende-se atualmente que mulheres com SPM têm uma maior sensibilidade cerebral às flutuações hormonais que ocorrem durante o ciclo menstrual podendo influenciar a liberação de neurotransmissores envolvidos na regulação do humor, comportamento e funções cognitivas, especialmente a serotonina. Sabemos que os sistemas de serotonina são capazes de modular os efeitos comportamentais dos hormônios sexuais (ex: agressividade), fato bem apoiado pelo efeito positivo de medicações que elevam os níveis de serotonina em mulheres com SPM. Além disso, sistemas hormonais que controlam a concentração de água e eletrólitos no corpo também podem ser influenciados pela flutuação hormonal, o que poderia explicar os sintomas de inchaço. Entretanto, esse ainda é um tema bem controverso.

Há muito que se fazer para reduzir o impacto da SPM no dia-a-dia. Estratégias medicamentosas é que não faltam, passando por suplementação de cálcio, magnésio, vitamina B6, intervenções hormonais, e antidepressivos que aumentam as concentrações de serotonina (tanto de forma contínua ou só na segunda metade do ciclo). Além disso, medidas comportamentais são bem vindas, tais como atividade física e técnicas de relaxamento. Quanto à dieta, é freqüente a recomendação de restrição de calorias e fracionamento da dieta, mas não há evidências científicas suficientes para “prescrevermos” uma dieta específica. Além disso, estudos com dietas com alto teor de carboidratos complexos sugerem benefícios às mulheres com SPM, talvez por aumento nas concentrações cerebrais de serotonina. É a história do chocolate como melhor amigo da mulher na fase pré-menstrual…

 

 

 

 
 
 
 
 

 

 


Curiosidade infantil sobre diferenças entre sexos

preescolar (13) Uma mãe relata que sua filha de três anos de idade brinca frequentemente com o primo de três anos e oito meses e pergunta se é normal eles às vezes se esconderem, tirarem as roupas e ela falar que quer ver o “pipi” dele.

A resposta à pergunta é sim, este comportamento é normal e característico da curiosidade infantil, o que é algo positivo e necessário ao seu desenvolvimento. Ao perceberem que meninos e meninas não têm corpos iguais, esclarecer as diferenças entre sexos é importante e necessário para crianças pequenas.

Não há nesse comportamento qualquer conotação sexual semelhante a vivenciada por adolescentes ou adultos, embora possam ocorrer atitudes semelhantes devido ser freqüente e esperado que a criança imite atividades que observa nos adultos.

O que é interessante observar no relato desta mãe é que as crianças já assimilaram que este comportamento tem algo de "diferente", pois se escondem para fazê-lo, o que eles também deduzem a partir de como os adultos se comportam em relação ao assunto.

Portanto, creio que não será difícil conversar com estas crianças e reforçar que não é adequado as pessoas ficarem tirando a roupa na frente das outras, exceto em situações em que isto pode ser necessário, como na visita ao pediatra. Elas aceitarão este conceito sem dificuldade se lhes for repassado com naturalidade, sem associação com algo feio por exemplo. Há muitos outros exemplos de comportamentos que não se deve ter na frente de outras pessoas.

Quanto à curiosidade em relação à diferença entre os sexos, há vários livros infantis adequados para diferentes idades em que este tema pode ser trabalhado através de figuras.

Leia também o texto sobre “comportamentos sexuais em crianças”.

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Dia das mulheres.

Como hoje o dia será de bajulação sem fim, vou me limitar a dar um PARABÉNS a todas as mulheres pelo dia em que são oficialmente exaltadas, pelos mais diferentes motivos.

Às primeiras 1000 leitoras deste post, um abraço. À minha esposa, mil beijos.

Um abraço, Feliz dia das mulheres.

Dengue - enfim uma boa notícia.

Dengue é um problema já de auto-estima nacional! Não tem uma única boa notícia sobre a dengue. O pobre Guarujá, por exemplo, depois de amargar gripe A, norovirose (lembra das diarréias?), agora está sendo assolado pela dengue. Mas a dengue é sempre. E não é só o Guarujá. Em Santos, nas últimas semanas, tenho atendido um ENORME número de casos suspeitos, principalmente do Guarujá, Praia Grande e das cidades mais ao sul do litoral paulista. Mas a própria cidade de Santos não fica impune. Temos muitos casos suspeitos lá. E isto contando com casos de dengue hemorrágica e 1 óbito, até onde eu tenha notícia. 

O problema ainda não chegou à capital - é só somar as constantes enchentes com a volta dos feriados/carnaval de pessoas infectadas com dengue e você tem um resultado mórbido.

De qualquer forma, para quebrar paradigmas e maus-humores, uma boa notícia: a Sanofi-Aventis diz ter na agulha uma vacina contra dengue que deve ser lançada no mercado mundial, devidamente testada em 2013! ISTO É UMA BOA NOTÍCIA.


Para sua diversão e horror (este mosquito é um figurante, não um A. egypt autêntico):

Para seu filho:



Um abraço.

Educação e Saúde


I Encontro Educação e Saúde na Infância e Adolescência: Dificuldades e Possibilidades

20-03-2010

Horário: das 8:30h - 17:00h

Local: Auditório Adamastor Pimentas – UNIFESP – Campus Guarulhos (Estrada do Caminho Velho 333 – Bairro dos Pimentas - Guarulhos)

Organização: Setor de Medicina do Adolescente do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo

Coordenadores: Marineide de Oliveira Gomes, Maria Sylvia de Souza Vitalle

Informações e inscrições (contato, telefones, e-mail, site): Pró-Reitoria de Extensão fonefax: (11) 5576-4717/5576-4718 e-mail: eventos@proex.epm.br
 
Inscrições somente através do site:
http://proex.epm.br/eventos10/adolescencia/index.htm
 
Público-alvo: pediatras e médicos de adolescentes

Objetivo do evento: aproximar as relações e os conhecimentos das áreas de Educação e Saúde, de modo a contribuir para melhorar as práticas e os saberes de estudantes e profissionais desses campos, estreitando as relações entre as duas áreas prioritárias para o desenvolvimento humano.

Inscrições gratuitas                    Programação

Nesse eu não vou (estarei trabalhando). Quem for, me avise como foi (terá sido?)..

Um abraço.

Conheça os 10 maiores fatores de risco para a saúde da mulher

As mulheres têm uma presença constante na assistência à saúde, seja como profissionais, seja como pacientes. Qualquer antessala de médico tem duas vezes mais mulheres que homens. Por isso, aproveito o Dia Internacional da Mulher para divulgar quais são os fatores de risco modificáveis que mais tiram anos de vida e que mais trazem incapacidade para as mulheres brasileiras.

  • Sobrepeso e obesidade: Esse é um dos poucos fatores de risco que afeta mais as mulheres que os homens. Apesar da obesidade, definida como IMC maior que 30, ser mais grave que o sobrepeso (IMC entre 25 e 30), este traz uma carga de doença ainda maior, porque existem mais pessoas com sobrepeso que obesas.
  • Glicose alta: A diabetes e a pré-diabetes são um dos maiores problemas de saúde pública, causando morte e incapacidade não apenas através da diabetes em si, mas também através de uma série de doenças como o derrame (acidente vascular cerebral) e o infarto.
  • Pressão alta: Quanto maior a pressão, maior o estrago. Ter pressão de 16 por 10 é pior que 14 por 9, que é pior que 12 por 8, que é pior que 10 por 7. Pessoas com pressão menor que 14 por 9 não têm indicação de tratamento com medicamentos, mas é nelas que acontece metade dos problemas decorrentes da pressão arterial elevada.
  • Uso de álcool: O álcool causa um estrago cinco vezes menor na população feminina do que na masculina, mas mesmo assim é um dos principais causadores de perda de anos de vida saudável entre as mulheres brasileiras. Além do alcoolismo, o álcool em excesso também prejudica a saúde de várias maneiras, mesmo se tomado apenas em ocasiões sociais.
  • Sexo sem camisinha: A relação sexual entre homem e mulher é a principal forma de transmissão do HIV no Brasil, de forma que a proporção de mulheres com AIDS cresce assustadoramente. Isso sem contar com a infertilidade devida à gonorreia e à clamídia, com o câncer de útero causado pelo HPV, e com a sífilis.
  • Falta de atividade física: Além do infarto, do derrame cerebral e do diabetes, o sedentarismo aumenta o risco da pessoa desenvolver câncer de mama e de intestino grosso.
  • Falta de aleitamento materno: O aleitamento materno protege a mãe contra câncer de mama, além de ser o principal fator de proteção contra a mortalidade infantil. Na verdade, o aleitamento materno tem uma série de vantagens, mas vou deixar para outros artigos.
  • Falta de água tratada, esgoto ou higiene: Esse fator de risco é responsável por todos os casos de verminose, a maioria dos casos de diarreia, e boa parte de uma série de doenças como hepatite A e dengue.
  • Uso de tabaco: O tabagismo é pelo menos tão prejudicial para uma mulher quanto para um homem, e à medida que cada vez mais mulheres jovens fumam, o problema só tende a aumentar. Para piorar, o uso de anticoncepcionais interage com o tabagismo, aumentando mais ainda o risco de infarto e outros tipos de trombose.
  • Colesterol alto: As dislipidemias são um dos principais fatores de risco evitáveis para as doenças do aparelho circulatório, que por sua vez são a principal causa de morte das mulheres brasileiras e de boa parte do resto do mundo. Novamente, mais da metade da carga de doença decorrente do colesterol alto acontece em pessoas abaixo do ponto de corte para o tratamento com medicamentos.

As informações foram obtidas de uma publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS) que levou em consideração não apenas o risco individual das pessoas que têm esses fatores de risco, mas também o número de pessoas afetadas. Além disso, o estudo não se limitou a estudar o número de óbitos causados por cada fator de risco, mas também a idade em que a morte acontece e a grau de incapacidade das pessoas doentes. Nessa publicação o Brasil é estudado em conjunto com outros países em vias de desenvolvimento na América Latina, que foram considerados como tendo um perfil de saúde semelhante.

Uma das conclusões mais interessantes do documento é que os níveis de saúde da mulher brasileira são maiores que os dos homens. Já é conhecido há muito tempo que o índice de mortes das mulheres é menor que o dos homens em todas as faixas etárias, e agora podemos dizer que a precocidade dos óbitos e a incapacidade também é menor. Certamente que isso reflete, em parte, a menor exposição da mulher à violência letal, como homicídios e acidentes de trânsito, mas também uma maior preocupação com a própria saúde e um maior contato com os serviços de saúde.

Não perca a sequência desse artigo, a ser publicada na próxima semana, divulgando os 10 maiores fatores de risco para a saúde do Brasil, levando em consideração tanto a população masculina quanto a feminina, e trazendo novas considerações sobre o assunto.

Essa mania de roer unhas...

     Há alguns dias, um paciente de 12 anos me perguntou o que eu sugeriria para que ele "parasse de roer unhas". Como eu não sabia a resposta, entrei em contato com o Orlando Tanaka (professor de odontologia da PUC-Paraná), que me cedeu um artigo muito bom a respeito do assunto.

Título: Nailbiting, or onichophagia: A special habit
Autores: ORLANDO M. TANAKA et all
Fonte: AMERICAN JOURNAL OF ORTHODONTICS AND DENTOFACIAL ORTHOPEDICS, 134:305-8, AUGUST 2008

Dicas:

1. Uma preparação com sabor amargo não é eficaz e causa maior tensão entre os jovens.
2. Aplicação de azeite de oliva nas unhas: torna-as macias e flexíveis.
3. Uso de curativo oclusivo nas pontas dos dedos / luvas / pijamas que cobrem as mãos e os pés - só devem ser utilizadas com o consentimento e a cooperação do paciente. 
4. Manter as unhas bem aparadas.
5. Para as meninas: fazer as unhas em salão de beleza, ao invés de sua residência
6. Para os meninos: aplicar bandagens em seus dedos, deixando seus amigos acreditarem que está tratando de ferimentos.
7.
Utilizar mordedor de borracha quando houver urgência do hábito ou em situações com aumento da ansiedade (assistindo a filmes, TV, tensões pré-provas). Quando estiver acostumado com o uso do mordedor, deixar uma unha crescer - as unhas dos dedos restantes ficarão "livres" para serem roídas, se o desejo permanecer. Depois, o número de unhas intactas pode ser aumentado gradualmente.
8. Mascar chiclete sem açúcar (se não compulsivamente).
9. Ocupar as mãos com outra atividade, como artesanato ou instrumento musical.
10. Convívio familiar (muitas vezes negligenciado por causa do trabalho e das preocupações do mundo moderno): com maior intimidade da família, as ansiedades e tensões podem ser mais facilmente liberadas.

     O melhor método para lidar com a onifofagia é educar a criança, estimular bons hábitos, desenvolver a percepção consciente e, assim, garantir resultados eficazes, porque nenhuma outra maneira de parar o hábito é mais eficiente, inteligente e satisfatória. 

     Durante o tratamento, a criança deve receber apoio emocional e incentivo. Técnicas de modificação comportamental, reforços positivos e acompanhamentos regulares são aspectos importantes do tratamento, com abordagem multidisciplinar (se necessário) e consentimento da criança.

     Punição, ridicularização, irritação e ameaças não são úteis e, muitas vezes, substituem o hábito de roer unhas por um problema mais sério. A abordagem multidisciplinar deverá centrar-se em esforços para construir a auto-confiança e a auto-estima da criança.

O papel da mídia ao tratar do suicídio

A Dra. Deborah Serani escreveu em seu blog, agregado no Psychology Planet, que a forma como a mídia noticia o suicídio pode implicar em situações completamente opostas. Por um lado, a notícia em veículos de comunicação pode servir de orientação e ajuda para pessoas vulneráveis, mas pode também provocar nelas atitudes perigosas. Veja bem, em nenhum momento é dito que as notícias são causas de suicídio.

Achei que as orientações que a Dra. Serani tirou do Centro de Pesquisas de Prevenção de Suicídio (Suicide Prevention Resource Center) podem ser de utilidade pública, mas principalmente de grande interesse de jornais, revistas, programas de tv, programas de rádio e até de blogueiros como eu. Vamos às dicas:

O que deve ser evitado:

Evitar: Descrições detalhadas do suicídio, incluindo localização e método especificamente.
Motivo: Descrições detalhadas aumentam o risco de imitação do ato por parte de indivíduos vulneráveis.

Evitar: Romantizar alguém que morreu de suicídio. Evitar homenagens prestadas por amigos e parentes. Evitar relatos em primeira pessoa de adolescentes sobre as suas tentativas de suicídio.
Motivo: Atenção positiva dada a alguém que se suicidou (ou fez uma tentativa) pode levar a indivíduos vulneráveis que desejam tanta atenção a tirarem suas próprias vidas.

Evitar: Glamour em torno do suicídio de celebridades.
Motivo: Pesquisas indicam que suicídios de celebridades podem promover suicídios por imitação entre pessoas vulneráveis. Não deixar o glamour da celebridades ofuscar qualquer problema mental ou abuso de substâncias que possa ter colaborado para a morte da celebridade.

Evitar: Exagerar nas estatísticas da frequência de suicídio
Motivo: Exagerar na frequência de suicídio (por exemplo, referindo-se a um “suicídio epidêmico”) pode levar indivíduos vulneráveis a tomar isso como uma reação normal ou aceitável para seus problemas. Até em populações com as mais altas taxas de suicídio, suicídios são raros.

Evitar: Usar palavras como “cometeu”, “fracassou” ou “teve sucesso” em relação ao suicídio.
Motivo: O verbo “cometer” é normalmente associado a pecados e crimes. Suicídio é melhor entendido em um contexto de saúde comportamental que em um contexto ligado ao crime. Considere usar a frase “morreu por suicídio”. As frases “suicídio bem-sucedido” ou “fracassou a tentativa de suicídio” implicam em resultados favoráveis ou inadequados. Considere usar “morreu por suicídio” ou “tentativa não fatal de suicídio”.

O que fazer:

  • Sempre incluir o número de telefone e informações sobre serviços locais de intervenção de crise.
  • Enfatizar avanços recentes em tratamentos para depressão e outros transtornos mentais. Incluir histórias de pessoas que foram salvas por tratamentos ou que superaram situações difíceis sem recorrer ao suicídio.
  • Entrevistar um profissional de saúde mental que seja notorialmente estudioso sobre o suicídio e abordar o papel do rastreamento (screening) e tratamento dos transtornos mentais como estratégia de prevenção.
  • Enfatizar ações que comunidades adotam para prevenir suicídios.
  • Incluir uma barra lateral listando sinais de alerta, ou fatores de proteção e risco para o suicídio.

Não estou de acordo com absolutamente todos os pontos acima, mas eu concordo com a Dra. Serani que a cobertura da mídia em situações de suicídio tem relevância para pacientes depressivos e suscetíveis ao suicídio. E, por isso, deve haver uma preocupação da mídia em como transmitir a notícia.


Homeopatia enfrenta oposição no Reino Unido

Recentemente o Pediatra em Casa divulgou uma notícia do Reino Unido, onde o Comitê de Ciência e Tecnologia do Parlamento emitiu um relatório sobre a homeopatia, destacando a postura contraditória do governo, que reconhece a ausência de comprovação científica da eficácia da homeopatia mas continua admitindo-a no sistema público de saúde. A conclusão do relatório é que a homeopatia não deveria ser financiada pelo NHS e a MHRA deveria parar de licenciar produtos homeopáticos. NHS é o Sistema Nacional de Saúde, o SUS do Reino Unido; e MHRA é a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (aqui a Anvisa exerce esse papel, entre outros). O relatório, desde a sua preparação, tem atraído muita atenção e imagino que ocorra uma grande pressão da opinião pública para que as recomendações sejam postas em prática.

Um sintoma disso é o movimento 1023, que exige que a maior rede de farmácias do país deixe de vender produtos homeopáticos. O nome do movimento é uma alusão ao fato de os produtos homeopáticos serem diluídos para um décimo da concentração por 23 vezes consecutivas. Nesse grau de diluição, as pílulas não contêm molécula alguma do princípio ativo. Uma das ações mais interessantes do grupo, para mim, foi divulgar que o farmacêutico superintendente daquela rede de farmácias admitiu que desconhece qualquer compravação de eficácia dos produtos homeopáticos, mas os vende mesmo assim porque algumas pessoas compram. Dia 30 de janeiro, às 10:23, o grupo fez uma demonstração pública no mínimo divertida: mais de 400 pessoas, em 13 cidades diferentes, ingeriram de uma só vez um frasco inteiro de pílulas homeopáticas. Não houve qualquer relato de consequências. (Assista aos vídeos.)

A ciência evoluiu muito desde a criação da homeopatia. E o mais importante, os médicos não escolhem os medicamentos pelo mecanismo de ação, e sim pela comprovação da eficácia. Por isso mesmo, a Organização Mundial da Saúde endossou uma carta aberta contra o uso da homeopatia em doenças sérias como malária, tuberculose, AIDS, influenza e diarreia infantil. Difícil é saber em que situação a homeopatia poderia ser indicada.